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Chile aprova lei contra deepfakes

Câmara aprova projeto que regula conteúdos com IA e pune deepfakes. Lei de dados passa a prever multas de até 4%.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 4 min de leitura

A Câmara dos Deputados do Chile aprovou em geral um projeto que regula conteúdos gerados com inteligência artificial e pune especificamente os deepfakes, com 128 votos a favor, 2 contra e 5 abstenções. Após a votação, a iniciativa voltou à comissão para continuar a tramitação.

Atualização 27 de agosto de 2026: A revisão inclui o detalhe do regime sancionatório da Lei de Proteção de Dados Pessoais, que agora prevê multas iniciais entre 5.000 e 20.000 UTM. Segundo a Radio Universidad de Chile, em casos de reincidência e agravantes, as sanções podem chegar a 4% da receita anual.

A Câmara dos Deputados do Chile aprovou em geral um projeto de lei que regula conteúdos gerados com inteligência artificial e pune especificamente os deepfakes, com 128 votos a favor, 2 contra e 5 abstenções. Depois da votação, a proposta retornou à Comissão de Futuro, Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação para seguir sua tramitação.

O que estabelece o projeto contra deepfakes?

O texto cria o direito à integridade digital para proteger a imagem, o corpo e a voz das pessoas, e mira conteúdos gerados com inteligência artificial que possam ser usados sem autorização. A medida também alcança pessoas físicas, empresas e redes sociais, com exceção da mensageria privada.

Segundo o The Standard CIO, o projeto também exige que as plataformas identifiquem conteúdos gerados com IA, removam o material denunciado em até 72 horas e mantenham um representante legal no Chile. A iniciativa faz parte de uma discussão legislativa que busca responder à circulação de material sintético e aos seus usos abusivos.

Como isso se cruza com outras leis digitais no Chile?

O Chile discute em paralelo outras três frentes regulatórias ligadas a dados, IA e violência digital. O projeto Boletim 16821-19, chamado Regula os sistemas de inteligência artificial, entrou em 2024, segue em tramitação e avança com uma abordagem baseada em níveis de risco, embora sua entrada em vigor ainda não esteja definida.

O Cercai alerta que esse texto ainda pode mudar, então as obrigações finais para empresas em matéria de IA e conformidade regulatória seguem sujeitas ao debate parlamentar. Em outra frente, desde 2020 tramita um projeto que tipifica a violência digital e altera o Código Penal, hoje em segundo trâmite constitucional no Senado.

Esse projeto sobre violência digital busca incorporar crimes associados à difusão não consentida de material íntimo e a outras formas de agressão praticadas por meio de tecnologias da informação. Além disso, inclui uma agravante específica no campo da sexualidade com o artigo 161-E, que pune quem, sem autorização, exibir ou difundir conteúdo digital falso, mas verossímil, criado com inteligência artificial com o objetivo de causar dano a uma pessoa.

O que acontece com a Lei 21.719 de proteção de dados?

A Lei N.º 21.719 de proteção de dados pessoais já foi aprovada pelo Congresso em 2024 e tem entrada em vigor plena marcada para 1º de dezembro de 2026, com novas obrigações para empresas e órgãos públicos no tratamento de dados pessoais.

A norma cria a Agência de Proteção de Dados Pessoais como órgão autônomo, com poderes de fiscalização e sanção, e estabelece um novo regime de infrações com penalidades financeiras relevantes para organizações que descumprirem as obrigações de tratamento de dados.

Veículos chilenos especializados apontam que a lei começará a valer em 1º de dezembro de 2026 e que cada dado pessoal tratado precisará ter finalidade justificada, prazo de retenção definido e controles sobre quem pode acessar a informação. Outros meios econômicos a descrevem como de difícil implementação para serviços públicos e empresas, com multas que podem chegar a 4% da receita anual por vendas e serviços em casos de infrações agravadas.

Ao mesmo tempo, o governo negocia com parlamentares uma possível postergação para 1º de dezembro de 2027, mantendo o início das operações da Agência para o fim de 2026, mas essa opção ainda está em avaliação e não foi confirmada como lei em vigor. Enquanto isso, diferentes veículos de negócios e tecnologia falam em contagem regressiva para as empresas, que terão de adaptar seus modelos de governança de dados, privacidade e segurança da informação para cumprir os novos padrões.

Fontes

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