Chile discute lei sobre dados e IA em projetos
Chile mantém em tramitação projetos sobre dados, IA, violência digital e segurança, incluindo regras de reporte
Chile mantém em tramitação uma série de projetos que tratam de dados pessoais, inteligência artificial, violência digital e vigilância. Entre eles estão uma obrigação para que certos provedores informem vulnerações a bases de dados, a regulação de sistemas de IA, uma reforma penal sobre violência digital e uma reforma constitucional de segurança com poderes para interceptar comunicações.
Chile tem em tramitação vários projetos que afetam dados pessoais, inteligência artificial, violência digital e poderes de vigilância. Entre eles estão o Boletim 18340-03, que obriga certos provedores a informar vulnerações em bases de dados de clientes ou usuários e inclui mudanças sobre proteção de dados pessoais, a iniciativa sobre sistemas de inteligência artificial já aprovada pela Câmara e em segundo trâmite no Senado, o projeto que tipifica a violência digital e a reforma constitucional de segurança pública impulsionada pelo governo de José Antonio Kast.
O que propõe o projeto sobre dados do SERNAC?
A minuta da Biblioteca do Congresso Nacional identifica o Boletim 18340-03, em tramitação, como uma iniciativa que impõe a certos provedores o dever de comunicar vulnerações a bases de dados com informações de clientes ou usuários, além de incluir mudanças nas normas sobre proteção de dados pessoais.
Esse texto aparece em uma minuta da BCN sobre normas e projetos relativos ao Serviço Nacional do Consumidor. A referência é relevante porque liga proteção ao consumidor a deveres de reporte diante de incidentes que afetem bases de dados. A minuta situa o projeto como parte do trabalho legislativo em curso, e não como uma lei já aprovada.
Em que fase está a regulação de IA?
O projeto que regula os sistemas de inteligência artificial, fundido nos Boletins 15.869-19 e 16.821-19, foi aprovado pela Câmara de Deputadas e Deputados e está em segundo trâmite constitucional no Senado, em análise geral pela Comissão de Desafios do Futuro, Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa ainda não é lei e pode ser alterada durante a passagem pela Casa Alta. O material disponível não detalha aqui seu articulado, mas confirma que o debate legislativo segue aberto e que o texto pode sofrer mudanças antes de uma eventual aprovação definitiva.
O que muda com a violência digital?
O projeto que tipifica a violência digital segue em segundo trâmite constitucional no Senado desde 2020 e busca alterar o Código Penal para punir condutas nocivas em ambientes virtuais que afetam a privacidade, a honra e a integridade das pessoas.
A referência legislativa mostra que a discussão não está encerrada e que a proposta continua à espera de avanço na Casa Alta. O foco do texto está em condutas cometidas em espaços virtuais, com efeitos diretos sobre direitos pessoais que o projeto busca resguardar por meio de mudanças penais.
Que faculdades discute a reforma de segurança?
A reforma constitucional de segurança impulsionada pelo governo de José Antonio Kast, identificada com a iniciativa 18597-07, busca criar um novo Estado de Exceção de Segurança Pública, com duração inicial de até 120 dias prorrogáveis uma vez pelo Presidente sem controle do Congresso, e prevê faculdades para interceptar, abrir ou registrar comunicações.
De acordo com reportagens, a mensagem presidencial também propõe fixar a segurança pública como mandato constitucional, permitir a suspensão de liberdades pessoais, autorizar a colaboração das Forças Armadas com as polícias e criar um registro de organizações de crime organizado e terrorismo associado a um regime penitenciário especial. A reforma entrou no Senado com suma urgência, começou sua tramitação na Câmara Alta e foi encaminhada às comissões de Constituição, Defesa e Segurança, sem data de votação em plenário.
A polêmica mais visível se concentra na faculdade de interceptar, abrir ou registrar documentos e comunicações. Diferentes análises jornalísticas apontaram esse ponto como um dos mais sensíveis pelo alcance sobre a privacidade e pela ausência de controles parlamentares na prorrogação. Parlamentares como Squella e Longton defenderam publicamente retirar essa atribuição do texto para limitar o alcance do novo estado de exceção e deixar fora a afetação das comunicações.
O que diz o projeto sobre vulnerações de bases de dados e proteção de dados pessoais?
O Boletim 18340-03 obriga certos provedores a informar vulnerações a bases de dados com informações de clientes ou usuários e, além disso, incorpora mudanças sobre proteção de dados pessoais.
A minuta da Biblioteca do Congresso Nacional o situa como uma iniciativa em tramitação ligada ao Serviço Nacional do Consumidor. O texto não o apresenta como lei aprovada, e sim como parte da discussão legislativa em curso sobre deveres de reporte diante de incidentes de segurança e proteção de dados pessoais.
Fontes
- Cuando pensar se vuelva opcional: los límites del proyecto de ley de IApoderyliderazgo.cl· Poder y Liderazgo
- Además de un nuevo Estado de excepción, ¿qué propone la reforma de seguridad pública de Kast?biobiochile.cl· Biobiochile
- Gobierno ingresa reforma constitucional en seguridadactualidadjuridica.doe.cl· DOE Actualidad Jurídica
- Boletín 17678-11 (incluye ficha del Boletín 18118-07)tramitacion.senado.cl· Senado de Chile
- Entre el “iliberalismo” y descuelgues oficialistas: reforma de seguridad suma flancos a dos días de su presentacióneldinamo.cl· El Dínamo
- Boletín 18060-07tramitacion.senado.cl· Senado de Chile
- Boletín 14767-03tramitacion.senado.cl· Senado de Chile
- Normativa y Proyectos referentes al Servicio Nacional del Consumidorbcn.cl· Biblioteca del Congreso Nacional de Chile
- Violencia Digital: ¿En qué consiste el proyecto de ley que busca modificar el Código Penal?eltipografo.cl· El Tipógrafo
- El paso en falso de Arrau: la accidentada gestación de una reforma que crispó al gabinetelatercera.com· La Tercera
- Squella y Longton unifican postura para que nuevo estado de excepción requiera acuerdo del Congresocanal9.cl· Canal 9
- “Alguien podrá decir que confía en el Presidente, pero le preguntaría”: Daniel Matamala pone alarma ante idea de Kastlacuarta.com· La Cuarta
- Fortalece el sistema nacional de seguridad pública y crea un nuevo estado de excepción constitucional de seguridad pública (ficha iniciativa 18597-07)vlex.cl· vLex Chile
- Kast niega carácter "iliberal" de reforma de seguridad y abre puerta a cambios en el Congresoradio.uchile.cl· Diario y Radio Universidad Chile



