Uruguai debate redes, dados e jogo online
Uruguai discute redes sociais, finanças abertas e jogo online, enquanto avança projeto sobre menores e uma consulta pública sobre IA.
Uruguai abriu em agosto uma série de discussões legislativas e setoriais que afetam privacidade, plataformas digitais e compliance. Na Câmara de Representantes, entrou um projeto para proibir que menores de 15 anos criem perfis em redes sociais. No Senado, foi aprovado o Sistema de Finanças Abertas com uma cláusula que impede restringir trâmites ou serviços a quem não autorizar o uso de seus dados. Ao mesmo tempo, operadores de cassinos defendem uma regulação do jogo online com controles de segurança e rastreabilidade.
Atualização 31 de agosto de 2026: O projeto sobre redes sociais e menores ficou mais definido em seu esquema de sanções, com multas entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão administradas pela AGESIC. Além disso, Parlamento, AGESIC e ONU promovem uma consulta pública sobre o impacto de redes sociais, videogames e inteligência artificial em crianças e adolescentes, aberta até 10 de setembro de 2026.
Uruguai abriu em agosto uma série de discussões legislativas e setoriais que afetam privacidade, plataformas digitais e compliance. Na Câmara de Representantes, entrou um projeto para proibir que menores de 15 anos criem perfis em redes sociais, enquanto o Senado aprovou o Sistema de Finanças Abertas com uma cláusula que impede restringir trâmites ou serviços a quem não autorize o uso de seus dados. Ao mesmo tempo, operadores de cassinos defendem uma regulação do jogo online com controles de segurança e rastreabilidade.
O que propõe o projeto sobre redes sociais e menores?
O texto apresentado pelo deputado colorado Felipe Schipani propõe proibir que menores de 15 anos criem perfis em redes sociais e estabelece restrições adicionais para adolescentes de 15 a 17 anos. Entre elas, obriga que os perfis sejam privados e limita a publicidade segmentada dirigida a essa faixa etária.
A proposta entrou na Câmara de Representantes nos primeiros dias de agosto de 2026, segundo a diaria. O projeto também atribui às plataformas digitais a responsabilidade pelo cumprimento da norma e prevê multas que a publicação situa entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. A Agência de Governo Eletrônico e Sociedade da Informação e do Conhecimento, AGESIC, seria a responsável por aplicá-las.
Schipani classificou essas sanções como bastante onerosas, dentro de um modelo pensado para gerar impacto econômico sobre as plataformas em caso de descumprimento. A proposta surgiu em meio a um debate mais amplo sobre quais limites regulatórios podem ser aplicados a serviços voltados a menores sem travar o uso legítimo das redes.
O que mudou no Sistema de Finanças Abertas?
O Senado aprovou o projeto de lei de Competitividade e Redução do Custo de Vida com uma alteração no artigo que cria o Sistema de Finanças Abertas para proteger o usuário contra retaliações por não consentir o uso de seus dados pessoais. A redação incorporada estabelece que essa negativa não poderá impedir trâmites nem condicionar o acesso a produtos ou serviços.
O tema vinha sendo discutido na Comissão de Hacienda do Senado, onde compareceram o Ministério da Economia e Finanças e o Banco Central do Uruguai. Segundo El País, o senador nacionalista Sergio Botana apontou o risco de um Grande Irmão dos dados financeiros, enquanto a secretária-geral do BCU, Viviana Pérez Benech, sustentou que o sistema não introduz exceções ao sigilo bancário.
Em paralelo, a discussão legislativa havia incluído uma redação que autorizava entidades supervisionadas pelo BCU a compartilhar informações protegidas por confidencialidade ou sigilo bancário com matrizes, filiais, subsidiárias ou outras entidades do grupo econômico dentro e fora do país. Essa possibilidade gerou preocupação política pelo alcance da flexibilização do sigilo.
O que pedem alguns legisladores sobre a informação pessoal?
Durante a tramitação do mesmo projeto, parlamentares da oposição defenderam que o fortalecimento do sistema de finanças abertas incorporasse um direito pessoal, absoluto e intransferível ao sigilo da informação pessoal. A ideia buscava evitar que cidadãos ficassem pressionados a consentir com a divulgação de seus dados.
A Comissão de Hacienda do Senado aprovou o texto com acordos entre a Frente Ampla, o Partido Nacional e o Partido Colorado, embora o substitutivo da oposição não tenha sido incorporado na versão final aprovada. A decisão sinalizou apoio político ao modelo, mas manteve aberta a discussão sobre o alcance das salvaguardas.
O que impulsiona a CUOASEC sobre o jogo online?
A Câmara Uruguaia de Operadores e Agentes de Jogos de Entretenimento e Cassinos, CUOASEC, apresentou em agosto uma proposta para legalizar e regular o jogo online no Uruguai. A iniciativa exigiria autorização estatal para toda atividade de jogo online e limitaria a operação a empresas com licença sob supervisão regulatória.
A proposta também prevê um domínio exclusivo .bet.uy para identificar operadores autorizados, um Registro Nacional de Usuários, rastreabilidade das operações, proteção de dados pessoais, prevenção da ludopatia, combate à lavagem de dinheiro, requisitos de cibersegurança, mecanismos de autoexclusão e um regime de sanções. Segundo Yogonet, a regulação também incluiria restrições para operadores não autorizados.
Outras coberturas, como a RadarDigital.ai, indicaram que a CUOASEC apresentou a iniciativa ao Poder Executivo e reforçou o uso do domínio .bet.uy e do registro de usuários como ferramentas de controle e rastreabilidade. A ACE Alliance acrescentou que a proposta ainda não aparece em registros legislativos ou regulatórios públicos do governo uruguaio e a descreveu como uma iniciativa setorial em busca de respaldo político e regulação estatal.
O que inclui a consulta pública sobre jovens e telas?
Parlamento, AGESIC e ONU promovem uma consulta pública sobre o impacto de redes sociais, videogames e inteligência artificial na vida, na aprendizagem e na saúde mental de crianças e adolescentes. A convocação fica aberta até 10 de setembro de 2026 e prevê um relatório final para 30 de novembro.
A iniciativa ocorre em paralelo ao debate parlamentar sobre redes sociais e menores e pode fornecer evidências para essa tramitação. Também amplia a discussão para videogames e inteligência artificial, duas áreas que não estavam no centro da proposta original, mas passaram a integrar o mesmo processo de consulta.
Existe uma lei uruguaia específica para inteligência artificial?
Até agosto de 2026, não se identifica no Uruguai uma lei em vigor cujo objeto específico seja regular a inteligência artificial. O dado vem de uma análise jurídica da NotaryData sobre sigilo profissional e IA, que esclarece não haver, nessa data, um marco legal dedicado à tecnologia no país.
A mesma análise acrescenta que seguem válidas normas setoriais e princípios gerais, como os ligados à proteção de dados pessoais e à responsabilidade profissional, aplicados de forma indireta ao uso de ferramentas de IA no exercício notarial. Em outras palavras, há uma lacuna normativa específica, mas isso não deixa a tecnologia fora de qualquer enquadramento legal.
Fontes
- Representantes de cassinos do Uruguai propõem projeto para legalizar e regulamentar o jogo onlineyogonet.com· Yogonet Brasil
- Cassinos propõem abrir mercado de jogos online no Uruguairadardigital.ai· RadarDigital.ai
- Casinos propose opening online gambling market in Uruguayradardigital.ai· RadarDigital.ai
- Comisión de Hacienda del Senado aprobó proyecto de ley sobre competitividad con acuerdos entre FA, PN y PCladiaria.com.uy· la diaria
- Operadores de casinos de Uruguay impulsan un proyecto para legalizar y regular el juego onlineyogonet.com· Yogonet
- El "Gran Hermano" de los datos financieros: Botana cuestionó nuevo sistema pero el BCU descartó riesgos al secreto bancarioelpais.com.uy· El País (Uruguay)
- Uruguay Casino Operators Propose Online Gambling Lawacealliance.com· ACE Alliance
- Acuerdo de Meta para proteger a los jóvenes estadounidenses, no aplicaría en Uruguayxn--lamaana-7za.uy· La Mañana
- Secreto profesional notarial e inteligencia artificialnotarydata.com.uy· NotaryData
- El Senado aprobó por unanimidad el proyecto de ley sobre competitividad que presentó el gobiernoladiaria.com.uy· la diaria
- Rendición de Cuentas: coalición pide que FA no “imponga” su mayoría en Senado tras aprobación en Diputadoselpais.com.uy· El País (Uruguay)
- Redes sociales y menores: un proyecto propone prohibirlas hasta los 15 años y otros legisladores piden no apurarseladiaria.com.uy· la diaria



