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Peru amplia pedido de faculdades sobre segurança

PCM pede 120 dias e 66 matérias ao Congresso, com foco em segurança, digital e economia. Justiça e Economia já analisam o pacote.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 6 min de leitura

A Presidência do Conselho de Ministros do Peru pediu ao Congresso faculdades legislativas por 120 dias e 66 matérias, com foco em segurança, modernização digital e economia. Deputados analisou o expediente, enquanto Justiça o considerou inviável em suas competências e Economia convocou o ministro e a Sunat.

Atualização 11 de setembro de 2026: a Câmara de Deputados realizou uma sessão específica sobre o pedido e a PCM detalhou usos concretos na área digital, enquanto a Comissão de Justiça declarou inviável a delegação em suas competências. Além disso, a CMCR decidiu acelerar a avaliação regulatória e o expediente já soma marcos ligados a dados pessoais e inteligência artificial.

A Presidência do Conselho de Ministros do Peru apresentou ao Congresso um projeto de lei para delegação de faculdades legislativas por 120 dias corridos, com 66 solicitações distribuídas em oito matérias, entre elas segurança cidadã, modernização do Estado, reativação econômica e medidas ligadas ao crime organizado. O trâmite avançou para a Comissão de Constituição, que já convocou o presidente do Conselho de Ministros, Luis Galarreta, para explicar o alcance do pedido.

A Câmara de Deputados realizou uma sessão específica sobre o pedido de delegação de faculdades e a PCM detalhou que as competências seriam usadas para reforçar a segurança digital, reorganizar a DINI, reduzir brechas de conectividade rural, ampliar a interoperabilidade com o setor privado e criar ambientes seguros de teste para soluções baseadas em IA.

O que inclui o pedido de faculdades?

O projeto apresentado pelo Poder Executivo abrange oito temas e soma 66 matérias, segundo as coberturas e o próprio diário oficial El Peruano. Entre os eixos estão segurança cidadã, gestão de risco de desastres, MYPE, emprego, desenvolvimento produtivo, matéria tributária, simplificação administrativa e modernização do Estado.

O diário oficial descreveu a iniciativa como uma solicitação de caráter urgente para que o Congresso autorize o Executivo a legislar durante 120 dias corridos. O PQS também informou que entre as diretrizes aparece a transformação e a segurança digital nos setores público e privado, junto com a digitalização de atividades e serviços do Estado. A Infobae Peru precisou ainda que o pacote se organiza principalmente em três eixos, segurança cidadã, reativação econômica e atendimento a emergências derivadas do fenômeno El Niño.

Coberturas setoriais mais recentes acrescentaram que, dentro do pacote, também há reformas em cibersegurança, governança digital, finanças abertas e inclusão financeira, no eixo de modernização e transformação digital do Estado.

O que acontece com as medidas de segurança?

Dentro do eixo de segurança, uma das faculdades solicitadas prevê alterar a normativa de telecomunicações para rastrear, geolocalizar e bloquear celulares usados de forma ilícita. Esse ponto abre uma frente regulatória com possíveis efeitos sobre interceptação de comunicações e gestão de dados de geolocalização, de acordo com a cobertura de El Estado del Perú.

A Comissão de Defesa Nacional do Congresso emitiu um relatório que declara viável a delegação em matérias sob sua competência, desde que seja respeitado o prazo de 120 dias e as matérias específicas autorizadas. Esse parecer inclui migração e nacionalidade, rastreamento e bloqueio de equipamentos de comunicação em presídios, armas e explosivos, participação excepcional das Forças Armadas em estabelecimentos penitenciários, combate à criminalidade organizada e classificação de organizações criminosas como terroristas.

Por que há críticas ao alcance do pedido?

A presidente da Comissão de Constituição, Giannina Avendaño, questionou o fato de o pedido abranger 66 solicitações em oito matérias e advertiu que o documento não traz uma justificativa clara para várias delas. A observação se soma às dúvidas sobre o nível de detalhamento disponível no texto remetido pelo Executivo.

A Comissão de Constituição declarou sessão permanente para avaliar a iniciativa, que segue em fase procedimental. Além disso, convocou o presidente do Conselho de Ministros, Luis Galarreta, para sustentar a proposta e explicar por que se busca legislar sobre 66 pontos em áreas-chave como segurança cidadã e economia.

A convocação ficou marcada para a sessão de 9 de setembro, na qual o premiê deverá explicar o alcance do projeto e suas 66 matérias. O pedido, além disso, está formalizado como Projeto de Lei N.° 00098-2026-2031-CD.

O que o governo disse sobre a urgência?

O governo enquadra o pedido como uma resposta rápida à insegurança cidadã. O ministro da Justiça, Ernesto Álvarez, afirmou que aprovar as faculdades responde a uma necessidade da população e, em outra entrevista, ressaltou que os futuros decretos legislativos não buscariam apenas aumentar penas.

Álvarez disse que o objetivo é reforçar a capacidade da Polícia e da inteligência policial, além do trabalho de inteligência das Forças Armadas, para capturar quadrilhas criminosas. Em declarações ao Expreso, também vinculou a urgência do pedido a uma reforma do sistema prisional e do INPE, que incluiria a construção de ao menos um mega presídio e a separação efetiva de detentos de maior periculosidade.

Como segue o trâmite no Congresso?

A Comissão de Constituição decidiu trabalhar em sessão permanente e recebeu pedidos de diálogo com as bancadas para consensuar o texto. Segundo a RPP Noticias, o projeto foi encaminhado à Comissão de Constituição da Câmara de Deputados para continuar seu trâmite, enquanto o Executivo busca destravar apoios políticos.

A Peru Informa acrescentou que a PCM abriu uma rodada de aproximações com diferentes bancadas. Já a Gestão informou que o governo precisou sanar uma observação formal e remeter a ata corrigida ao Congresso, o que mantém o processo aberto antes de uma eventual autorização para legislar.

Em paralelo, a Comissão de Economia, Bancos, Finanças e Inteligência Financeira decidiu convocar o ministro da Economia e o chefe da Sunat para explicar os alcances econômicos do pacote, especialmente os trechos ligados ao regime tributário, finanças e aos componentes de finanças abertas e inclusão financeira.

O expediente já é analisado por pelo menos oito comissões do Congresso, segundo El Peruano, o que complexifica o trâmite das 66 faculdades solicitadas.

A Comissão de Justiça e Direitos Humanos aprovou por maioria um relatório que declara inviável a delegação nas matérias sob sua competência, um precedente que pode reduzir ou condicionar o pacote nos capítulos ligados à Justiça e aos direitos fundamentais.

A Comissão Multissetorial de Qualidade Regulatória, liderada pela PCM, decidiu que a avaliação das normas emitidas sob faculdades delegadas será contada em dias corridos e não úteis. O objetivo é acelerar a emissão regulatória em matérias como transformação digital, segurança e cibersegurança, mantendo um controle prévio de qualidade.

Que outro frente legislativa aparece em paralelo?

Em paralelo ao pedido de faculdades, o deputado Leo De Paz Lancho apresentou um projeto de lei para fortalecer a prevenção, a atenção, a correção e a reparação do dano diante do assédio escolar, bullying e ciberbullying cometidos por crianças e adolescentes nas escolas do país. A proposta inclui medidas concretas que vão além do reconhecimento do problema.

O texto prevê a implementação progressiva e obrigatória de psicólogos escolares em todas as escolas em um prazo máximo de 24 meses, com protocolos diferenciados conforme três níveis de gravidade. Nos casos mais graves, inclui comunicação imediata à Polícia Nacional do Peru e ao Ministério Público. Também estabelece mecanismos de justiça restaurativa escolar, um Programa de Corresponsabilidade Parental obrigatório para pais de estudantes reincidentes e o registro e monitoramento trimestral de cada caso a cargo do CONEI, com falta administrativa grave para diretores que omitirem esse acompanhamento.

Que impacto pode ter em dados pessoais e IA?

O debate sobre faculdades se cruza com normas já vigentes sobre proteção de dados e inteligência artificial. O novo Regulamento da Lei 29733, aprovado pelo Decreto Supremo 016-2024-JUS, tornou obrigatórios, em nível regulamentar, vários elementos que antes eram recomendações e acrescentou exigências de gestão de incidentes, controles técnicos, auditoria e documentação de medidas de segurança.

Segundo a análise de compliance citada pela Mi Firma Digital, o cronograma por porte de empresa define vencimentos escalonados: as entidades com vendas anuais acima de 2 300 UIT devem cumprir a partir de 30 de novembro de 2025, as médias a partir de 30 de novembro de 2026, as pequenas a partir de 30 de novembro de 2027 e as microempresas a partir de 30 de novembro de 2028.

Além disso, o El Peruano explicou que a Lei 31814 e seu regulamento estabelecem obrigações específicas para empresas e organizações privadas que desenvolvam e implementem sistemas de inteligência artificial em setores como saúde, educação, justiça, segurança, economia e finanças. O primeiro prazo de adaptação vence em 10 de setembro de 2026.

Especialistas em regulação tecnológica citados no material também apontaram que o regulamento de IA, aprovado pelo Decreto Supremo 115-2025-PCM e em vigor desde 22 de janeiro de 2026, obriga a identificar, classificar e registrar sistemas conforme o nível de risco, avaliar impacto nos de alto risco e estabelecer medidas de governança e transparência algorítmica.

O presidente do Congresso, além disso, reafirmou o compromisso legislativo de impulsionar normas sobre transformação digital e cibersegurança no contexto de uma possível aliança com a Meta, voltada para inteligência artificial e segurança digital. Nessa agenda de cooperação entraram capacitação tecnológica, uso responsável da IA e ferramentas de acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência.

A discussão também chega com o Congresso já alinhado a uma agenda mais ampla de segurança digital, enquanto o Executivo busca que as faculdades habilitem mudanças rápidas em cibersegurança, governança digital e modernização do Estado.

Fontes

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