CiberLATAMbywhalemate
Relatório de inteligência13 de jul. de 202618 min de leitura

Situación Nacional de Ciberseguridad - Junio 2026 - Colombia

A Colômbia fechou junho com 45 incidentes, 18 casos de fraude e 26 movimentos regulatórios, em um mês marcado por vazamentos e alertas críticos.

Situación Nacional de Ciberseguridad - Junio 2026 - ColombiawhalemateA plataforma para gerenciar o risco humano em cibersegurança.

Principais conclusões

Módulos mensais de referência

Estes módulos são preenchidos automaticamente com fatos e fontes verificadas do período. São a leitura recorrente mês a mês, e a análise posterior desenvolve os casos sem repetir esta síntese.

CIBERLATAM / WHALEMATE Painel mensal de sinal verificado junho de 2026 · Colômbia INCIDENTES 45 vazamentos ou brechas com fonte RANSOMWARE 9 casos documentados CVES 9 CVE-2026-20127 / CVE-2026-2… FRAUDE 18 phishing documentado REGULAÇÃO 26 normas ou sanções PRINCIPAL AMEAÇA Incidentes 45 fatos
Painel mensal de sinal verificado — Resumo fixo do período para a Colômbia.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição por eixo de ameaça junho de 2026 · Colômbia Incidentes 45 Regulação 26 Fraude 18 Vulnerabilidades 15 Ransomware 9
Distribuição por eixo de ameaça — Classificação heurística de fatos verificados por tipo de ameaça.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição setorial do sinal junho de 2026 · Colômbia Setor público / OIV 51 Telecom 30 Finanças 18 Tecnologia 18 Saúde 9 Educação 6 Energia 3 Varejo / consumo 3
Distribuição setorial do sinal — Classificação heurística de fatos verificados por setor afetado ou mencionado.
MÓDULO FIXO MENSAL Infraestrutura crítica na Colômbia Fatos verificados sobre setor público, utilities e serviços essenciais Setor público / governo 47 Infraestrutura crítica explícita 8 Energia / utilities 2 Telecom / conectividade 27 Fatos classificados 20
Infraestrutura crítica na Colômbia — Fatos verificados sobre setor público, utilities e serviços essenciais

Resumo executivo do mês na Colômbia

Junho deixou a Colômbia com uma combinação pouco amigável de volume, exposição pública e pressão regulatória. Os indicadores do período registram 45 incidentes documentados, 18 casos de fraude ou phishing, 9 episódios de ransomware ou extorsão, 26 movimentos regulatórios e 9 CVEs críticos mencionados. A ameaça predominante foi a de incidentes, não porque faltassem campanhas concretas, mas porque o mês foi atravessado por alertas, vazamentos verificados, exposição de credenciais e vigilância reforçada sobre infraestrutura sensível.

O sinal mais forte veio de duas frentes. De um lado, o ecossistema eleitoral encerrou o segundo turno presidencial sem incidentes de cibersegurança na infraestrutura eleitoral, segundo ColCERT e a Registraduría, mas com achados de exposição de credenciais institucionais, suplantação de identidade e narrativas de desinformação associadas a domínios e bots fraudulentos. De outro, o debate público se concentrou no vazamento de dados de Defensores de la Patria, com 1,4 milhão de registros expostos na internet, além de informações associadas a funcionários, e-mails institucionais e localizações geográficas precisas em parte da base.

A superfície de ataque continuou crescendo em paralelo com a pressão sobre plataformas e serviços. Semana e Portafolio colocam a Colômbia entre os países mais atacados da América Latina, com concentração regional de incidentes e uma crise anterior, em maio, que seguiu produzindo efeitos reputacionais e operacionais ao longo de junho. A isso se somaram os alertas do CC-CSIRT sobre campanhas de malware, o aviso AL-20260619-101 por FortiBleed e o acompanhamento de vulnerabilidades exploradas ativamente, um conjunto que voltou a empurrar a agenda para detecção antecipada e rotação de credenciais.

No plano normativo, o país movimentou peças importantes. A Lei 2573 de 2026, a campanha da SIC contra a suplantação de identidade, a nova ferramenta da Superintendência Financeira contra fraudes e as resoluções de saúde, transporte e Presidência consolidam uma linha de trabalho mais dura sobre validação de identidade, rastreabilidade, proteção de dados e governança da informação. A mensagem regulatória é clara, a Colômbia está elevando a régua de conformidade ao mesmo tempo em que a fraude digital ganha tração.

Junho de 2026, ColômbiaLei 2573e conformidadeSFC lançamicrosite fraudeCC-CSIRTalerta de malwareFortiBleedalerta doColCERTDefensoresda PátriaEncerramentoeleitoral semincidentes
Colômbia, junho de 2026, marcos do mês — Cronologia sintética dos fatos mais visíveis do período, com foco em vazamentos, alertas e regulação.

Panorama nacional do mês na Colômbia

A Colômbia atravessou junho com risco alto. A avaliação não decorre de um caso isolado, mas da soma de sinais verificados, 45 incidentes documentados, vazamentos em grande escala, exposição de credenciais, alertas sobre malware, campanhas de fraude e um pacote normativo que reconhece explicitamente a deterioração do ambiente de ameaça. A combinação de volume e gravidade foi suficiente para marcar o mês como um período de alta pressão operacional para os setores público e privado.

A atividade não se concentrou em um único tipo de ator. Houve extorsão sem criptografia clássica, fraude de identidade, phishing, exposição de credenciais e vulnerabilidades críticas em produtos de uso گستendido, de Fortinet a LiteLLM, Android e Cisco SD-WAN. Em paralelo, o ecossistema institucional respondeu com monitoramento reforçado, campanhas de prevenção e normas que começam a transformar em obrigações formais o que antes era tratado mais como boa prática do que como exigência.

A leitura regional acompanha essa conclusão. Semana e Portafolio coincidem em que a Colômbia se posicionou como o terceiro país mais atacado da América Latina, com 8 % dos incidentes regionais recentes. Em outras palavras, junho não apenas mostrou que o país está sob pressão, como também confirmou que essa pressão já é visível na escala latino-americana e que a exposição dos setores colombianos passou a fazer parte do problema regional, não de uma anomalia local.

Indicadores do período, Colômbia4518269889%IncidentesFraudeRegulaçãoResgate/extorsãoSetoresConfirmação
Colômbia, junho de 2026, distribuição de indicadores — Leitura comparativa dos principais indicadores do mês, útil para dimensionar o peso relativo de cada eixo.

Indicadores do período na Colômbia

Indicador Valor
Incidentes documentados 45
Casos de ransomware ou extorsão documentados 9
Casos de fraude ou phishing documentados 18
Movimentos regulatórios documentados 26
CVEs críticos mencionados 9
Setores com pelo menos um fato documentado 8
Ameaça predominante do mês Incidentes (45 fatos)
Fatos com confirmação direta da fonte 89%
Baseline comparativo Sem baseline comparativo, este é o primeiro período arquivado com este formato de indicadores para este país

Incidentes relevantes na Colômbia

Eleição presidencial e ciberdefesa eleitoral da ColCERT e da Registraduría

O caso mais sensível do mês foi o monitoramento do segundo turno presidencial de 20 de junho. O Boletín PMU Ciber Electoral 2026 N.º 005 informou que não houve incidentes de cibersegurança na infraestrutura eleitoral e que a disponibilidade dos sistemas permaneceu estável. O SOC da Registraduría operou normalmente e o tráfego foi absorvido sem ataques de negação de serviço nem impacto sobre o WAF.

Esse resultado não deve ser lido como ausência de risco. O mesmo boletim descreveu um ambiente de exposição no ecossistema eleitoral, com credenciais institucionais do CNE encontradas no Telegram e em fóruns clandestinos, além de falsificação de identidade por meio de domínios e bots fraudulentos. A operação foi concluída sem interrupções, mas o contexto ficou longe de ser benigno.

Vazamento confirmado de Defensores de la Patria

O vazamento ligado a Defensores de la Patria foi o fato de maior alcance comunicacional do mês. O MuchoHacker.lol informou que pelo menos 1,4 milhões de colombianos apareceram expostos online, com acesso público a dados como nome, documento, celular, e-mail, gênero, data de nascimento, localização geográfica e referências cruzadas entre usuários. A mesma cobertura acrescentou que 149.995 registros continham coordenadas precisas.

A Silla Vacía, com base em uma investigação jornalística do CLIP e de outros veículos parceiros, confirmou que os registros estavam públicos e sem proteção na internet. Além disso, apontou que entre os dados apareciam e-mails de funcionários públicos e mais de 5.000 endereços institucionais com domínio .gov.co. A plataforma negou o vazamento e falou em sabotagem digital, mas o material publicado pela cobertura jornalística sustentou a existência do arquivo exposto.

FortiBleed e exposição de interfaces Fortinet na Colômbia

A ColCERT emitiu o alerta AL-20260619-101 sobre a campanha global FortiBleed. O boletim descreveu uma afetacão em escala internacional de aproximadamente 73.900 dispositivos Fortinet em 194 países, com mais de 2.400 interfaces de administração expostas na Colômbia e 27 organizações afetadas, algumas do setor público.

A campanha não foi vinculada à infraestrutura eleitoral, mas foi destacada como risco preventivo para o setor público. O fato importa por dois motivos: primeiro, porque mostra um vetor de exposição muito disseminado em infraestrutura de borda; segundo, porque confirma que o monitoramento estatal não se concentrou apenas no domínio eleitoral, mas no perímetro tecnológico de múltiplas entidades.

Achados de malware e comprometimento na Colômbia

O CC-CSIRT publicou o Boletín Informativo N.º 038 em 16 de junho com múltiplos indicadores de comprometimento associados a campanhas de malware no país. O documento não funcionou como um alerta genérico, mas como uma peça de apoio operacional para atualizar mecanismos de detecção e reforçar controles em organizações expostas.

Na mesma linha, os indicadores do período mostram que este não foi um mês de um único vetor dominante. A evidência consolidada fala de incidentes, vazamentos, engenharia social, campanhas de malware e movimentos regulatórios simultâneos. O quadro é o de uma superfície de ataque mais explorada por adversários do que por ruído acidental.

Sinais de ataque sobre mobilidade e setores operacionais

O material do X corroborado com o research aprofundado incluiu uma pista sobre um leak de dados de mobilidade em Bogotá e outra sobre um possível caso de exclusão de multas atribuído por atacantes em sistemas de Movilidad de Bogotá. Neste informe, considera-se apenas o que ficou confirmado pelas fontes disponíveis, ou seja, o sinal de atividade e o contexto de exposição, e não a validação definitiva de uma alteração massiva de registros.

Esse tipo de fato ajuda a entender o padrão de junho, em que os ataques não se limitaram ao roubo de credenciais ou a vazamentos políticos. Também houve sinais sobre sistemas administrativos e serviços urbanos, o que amplia a preocupação para operações cotidianas com impacto direto na cidadania e na gestão pública.

Ameaças e campanhas ativas na Colômbia

Ransomware e extorsão na Colômbia

A base do mês não foi um ransomware cifrador clássico, mas a extorsão com foco em roubo de dados, acesso remoto e pressão sobre vítimas corporativas. A Silent Ransom Group foi a referência mais útil para entender essa transição. Os relatos citados por SOSRansomware, Rescana, SocPrime e TechCrunch descrevem um modelo que prioriza vishing, phishing, acesso remoto legítimo, dispositivos USB e até a infiltração de pessoas que se passam por técnicos de TI para entrar fisicamente em escritórios.

No contexto colombiano, essa modalidade importa porque se encaixa em ambientes de serviços profissionais, BPO, educação, saúde e corporativo, os mesmos setores que a Semana identificou entre os mais afetados pela crise de maio e que seguiram aparecendo em junho como áreas de maior risco. Não há evidência no material de um evento de ransomware cifrador na Colômbia durante o mês, mas há pressão contínua sobre dados e credenciais que alimenta extorsão e fraude.

Fraude e phishing na Colômbia

A fraude foi o segundo grande eixo do período. A Superintendência Financeira lançou o microsite "Protégete de los fraudes", com foco em phishing, smishing e sinais de alerta ligados a operações financeiras digitais. A SIC, por sua vez, difundiu uma campanha diante do aumento da suplantação de identidade no país, apoiada em reclamações recebidas desde 2022.

A Lei 2573 de 2026 reforça esse frente ao exigir validação de identidade, rastreabilidade e mecanismos de resposta diante de suplantação, com efeitos diretos sobre bancos, fintechs, operadoras e comércios com competência creditícia. Em junho, já não se tratava apenas de alertar sobre o problema. O regulador passou a transformá-lo em uma obrigação de processo, evidência e resposta.

APT, hacktivismo e campanhas de exposição na Colômbia

Não houve material verificável suficiente para atribuir uma campanha APT clássica de alcance nacional em junho. Houve, porém, evidência de pressão voltada à exposição pública, suplantação e desinformação. O boletim eleitoral de ColCERT e Registraduría mencionou domínios e bots fraudulentos, narrativas manipuladas com inteligência artificial e achados de credenciais em fóruns clandestinos. É uma superfície em que hacktivismo e operação criminosa se cruzam sem necessidade de grande sofisticação técnica.

Essa mistura também aparece no vazamento de Defensores de la Patria. A disputa entre uma plataforma que nega a fuga e veículos que dizem ter verificado o acesso público aos dados deixa um terreno típico de campanhas de pressão digital, no qual a exposição de informações cumpre ao mesmo tempo uma função política, reputacional e operacional.

Vulnerabilidades críticas com impacto na Colômbia

CVE Software Exploração Fonte
CVE-2026-42824 Microsoft 365 Copilot Enterprise Search Exfiltração de e-mails e dados corporativos, divulgada como cadeia crítica Ecosistema Startup
CVE-2026-47101 LiteLLM Cadeia de escalada de privilégios e execução remota de código Ecosistema Startup
CVE-2026-47102 LiteLLM Cadeia de escalada de privilégios e execução remota de código Ecosistema Startup
CVE-2026-40217 LiteLLM Cadeia de escalada de privilégios e execução remota de código Ecosistema Startup
CVE-2026-42271 LiteLLM Adicionada ao KEV da CISA por exploração ativa Ecosistema Startup
CVE-2026-20245 Cisco Catalyst SD-WAN Escalada de privilégios em componentes de controle Cisco
CVE-2026-20262 Cisco vManage SD-WAN Gravação arbitrária de arquivos em sistemas afetados Cisco
Sin CVE asignado en la fuente FortiBleed en Fortinet Abuso massivo de credenciais e exposição de interfaces de administração ColCERT
Sin CVE asignado en la fuente Android junho de 2026 18 vulnerabilidades críticas corrigidas, com indícios de exploração ativa em uma delas Notimerica, Infobae

Regulação e conformidade na Colômbia

Lei 2573 de 2026 e seu impacto na identidade digital na Colômbia

A Lei 2573 de 2026 foi a mudança regulatória mais sensível do mês em matéria de fraude e identidade. A norma desenvolve os direitos de habeas data, intimidade e bom nome diante da suposição de identidade, e obriga entidades financeiras, fintechs, SEDPE, teles e varejistas de crédito a implementar controles razoáveis e suficientes para verificar a identidade.

O ponto mais forte do regime é a carga dinâmica da prova. Se uma pessoa reclama por suposição de identidade, a entidade precisa demonstrar que seus controles funcionaram. Isso muda o eixo da discussão, já não basta ter procedimentos escritos, é preciso provar sua efetividade. Além disso, o material de Facephi, Cuatrecasas e DataCrédito Experian coincide ao apontar a ordem de mecanismos de suspensão de cobranças, correção de relatórios negativos e tratamento específico para vítimas de falsidade pessoal.

SIC e a campanha contra a suposição de identidade na Colômbia

A Superintendência de Indústria e Comércio lançou uma campanha para prevenir fraudes digitais e alertou para o aumento da suposição de identidade. A Cuatrecasas também relatou um projeto de resolução que altera o Título V da Circular Única, com novas regras sobre certificação de autorizações, bloqueio de informações, comunicação prévia ao reporte negativo, permanência de dados e reporte anual de reclamações.

A leitura prática para as entidades é direta. O cumprimento já não se limita à formalidade documental. Agora se espera capacidade de resposta a reclamações, rastreabilidade de autorizações e tratamento diferenciado para vítimas de fraude. O marco regulatório está se alinhando à pressão operacional do crime.

Saúde, transporte e administração pública na Colômbia

A Resolução 1058 de 2026 do Ministério da Saúde adotou a Política Nacional de Qualidade em Saúde 2026 a 2035 e definiu padrões para segurança do atendimento, proteção de dados e idoneidade técnica em serviços a distância. A Resolução 8150 da Superintendência de Transporte, por sua vez, vinculou o tratamento de dados sensíveis, como biométricos e audiovisuais, à Lei 1581 de 2012 e definiu obrigações do encarregado do tratamento.

Na Presidência, a Resolução 0419 incentivou o uso estratégico de dados, analytics, dados abertos e interoperabilidade. Juntas, essas medidas mostram uma administração pública que começa a organizar melhor o uso dos dados, mas também a reconhecer que esses dados exigem controles, rastreabilidade e limites mais explícitos.

Superintendência Financeira e controle interno na Colômbia

A Resolução 0877 de 11 de junho criou os cargos de Oficial de Segurança da Informação e Continuidade do Negócio, e de Oficial de Proteção de Dados Pessoais dentro da Superintendência Financeira. É um sinal de maturidade institucional, porque leva a discussão de segurança do plano técnico para o de governança corporativa e conformidade.

A mesma entidade lançou a ferramenta "Protégete de los fraudes", com orientações concretas para evitar phishing e smishing, e com referência expressa à denúncia por CAI Virtual ou Fiscalía quando a fraude se concretiza. A agenda financeira do mês combinou educação, desenho institucional e regulação preventiva.

Setores mais afetados na Colômbia

Os setores com fatos documentados em junho foram oito, mas a distribuição não foi igual. Saúde, educação, BPO e corporativo seguiram aparecendo como áreas de maior exposição, de acordo com a Semana. O setor público também ficou sob pressão pelas credenciais do ecossistema eleitoral, pela campanha FortiBleed e por diversas resoluções voltadas a melhorar controles e perfis de responsabilidade.

Em paralelo, o setor financeiro teve presença destacada do ponto de vista regulatório e fraudulento. A Lei 2573, a campanha da SIC e a ferramenta da Superintendência Financeira mostram que a fraude de identidade está atingindo em cheio essa vertical. Não é por acaso que o mês tenha deixado tantas peças sobre verificação de usuário, validação de operações e correção de relatórios.

A saúde merece uma menção à parte. De um lado, foi um dos setores citados nos relatórios regionais de incidência. De outro, a Resolução 1058 incorporou requisitos de segurança da atenção, dados e prestação remota. Isso sugere que a exposição não é apenas criminal, mas também regulatória e operacional. O setor precisa garantir ao mesmo tempo continuidade, confidencialidade e validade das informações clínicas.

O transporte e a administração pública fecharam a lista de áreas visíveis do período. O tratamento de biometria, audiovisuais e infraestrutura de vigilância, junto com o impulso ao uso estratégico de dados em entidades públicas, reforça a ideia de que os riscos de junho não se concentraram em um único vertical, mas circularam por camadas de gestão estatal e serviços críticos.

Tendências e sinais para monitorar na Colômbia

Não há baseline comparativo para este país, porque este é o primeiro período arquivado com este formato de indicadores. Por isso, não cabe inventar uma variação mês contra mês. Ainda assim, há sinais a acompanhar de perto a partir de junho.

O primeiro é o peso crescente da suplantação de identidade. A SIC, a Lei 2573, a Superintendência Financeira e a DataCrédito Experian apontam todos para a mesma direção. A validação de identidade deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar o centro da conformidade antifraude.

O segundo é a persistência de campanhas de exposição de credenciais e vazamentos públicos. O caso CNE, o vazamento de Defensores de la Patria e os indicadores de comprometimento divulgados pelo CC-CSIRT sugerem que a frente de credenciais segue como uma porta de entrada relevante. Também indica que o mercado clandestino continua ativo e interessado em dados colombianos.

O terceiro é a exposição da borda tecnológica. FortiBleed e as referências a vulnerabilidades exploradas ativamente mostram que dispositivos perimetrais, sistemas de administração e plataformas amplamente implantadas continuam entre as prioridades dos atacantes. Isso vale tanto para o setor público quanto para empresas com baixa visibilidade externa de seus próprios ativos.

O quarto sinal é o aumento da pressão regional. A Semana e o Portafolio já colocam a Colômbia no grupo de países mais atacados da América Latina. Isso não é apenas uma estatística regional, também é um alerta sobre volume, atratividade para campanhas transfronteiriças e acúmulo de sinais adversos em setores com alta dependência digital.

Recomendações para equipes de segurança na Colômbia

Primeiro, revisar o controle de credenciais expostas, tanto em contas institucionais quanto em acessos de terceiros. Junho mostrou que os atacantes seguem explorando vazamentos e stealer logs como insumo operacional. Rotação, revogação e monitoramento de reutilização devem ficar como prioridade.

Segundo, reforçar o tratamento da identidade digital. As áreas de fraude, risco, compliance e cibersegurança deveriam trabalhar com métricas comuns sobre validação, rastreabilidade e resposta à falsificação de identidade. Se a entidade não consegue demonstrar controles, a nova arquitetura regulatória a deixa em posição frágil.

Terceiro, revisar a exposição de perímetro e de plataformas de administração. FortiBleed deixou um exemplo claro de como um fabricante amplamente implantado pode se tornar vetor de risco sistêmico. Convém inventariar interfaces expostas, hardening, MFA, segmentação de administração e critérios de atualização urgente.

Quarto, fortalecer a detecção de phishing, smishing e vishing. A campanha da Superintendencia Financiera e os relatórios sobre Silent Ransom Group mostram que o componente humano segue crítico. As equipes devem combinar treinamento com controles de e-mail, canais de mensagens e autenticação reforçada.

Quinto, formalizar a resposta a vazamentos com impacto regulatório. Não basta investigar o fato, é preciso preservar evidências, acionar a área jurídica e definir a comunicação externa. Em um mês como junho, com exposição pública de bases e debate sobre a autenticidade do vazamento, a velocidade de resposta importa tanto quanto a qualidade técnica.

Limitações do material

O relatório foi elaborado exclusivamente com o material fornecido. Não foram consultadas a internet nem fontes externas fora da lista autorizada.

Não há baseline comparativo para o mês anterior, por isso não foram construídas tendências quantitativas mês a mês. As comparações se limitam à leitura qualitativa do período e a referências regionais contidas nas fontes.

Parte do material aparece atribuída pela própria fonte ou com grau explícito de incerteza, por isso, nesses casos, a formulação foi mantida prudente e os fatos confirmados foram consolidados. Quando a fonte não permitiu validar um ponto, ele não foi tratado como certeza.

Anexo técnico: indicadores de compromisso e TTPs

O Boletim Informativo N.º 038 do CC-CSIRT indicou a existência de múltiplos indicadores de compromisso associados a campanhas de malware na Colômbia, e o boletim PMU Ciber Electoral 2026 N.º 005 enviou recomendações sobre rotação de credenciais, autenticação multifator e monitoramento reforçado diante de falsificação e exposição de contas. Além disso, o material consolidado sobre o Silent Ransom Group descreve TTPs de vishing, phishing, abuso de ferramentas de acesso remoto, uso de RMM, USB e acesso físico encoberto por falsos técnicos de suporte. No caso do FortiBleed, a fonte destacou exposição de interfaces de administração e abuso de credenciais em dispositivos Fortinet.

Fontes