CiberLATAMbywhalemate

Paraguai amplia denúncia por ciberespionagem chinesa

Paraguai e EUA denunciaram infiltrações atribuídas a atores ligados à China em redes estatais. A Justiça abriu causa penal.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 4 min de leitura

Paraguai e Estados Unidos denunciaram infiltrações atribuídas a atores ligados à China em redes estatais paraguaias após uma revisão conjunta de cibersegurança. A Promotoria abriu uma causa penal e a China rejeitou as acusações.

Atualização 25 de agosto de 2026: Paraguai e Estados Unidos divulgaram em 10 de julho uma declaração conjunta após uma revisão de cibersegurança sobre redes governamentais paraguaias, e a Promotoria abriu depois uma causa penal a partir da denúncia do MITIC. Em paralelo, a China rejeitou publicamente as acusações e as classificou como calúnia.

Campanhas APT na região

A Agência Andina divulgou um alerta de cibersegurança na América Latina que chama atenção para ataques de ameaças persistentes avançadas, ou APT, contra órgãos governamentais e empresas da região. Segundo o material, as campanhas incluem infiltração em organizações por meio de identidades falsas criadas com inteligência artificial para acessar redes internas e dados sensíveis.

O alerta surge em um contexto em que outras coberturas regionais e publicações ligadas ao ecossistema de cibersegurança descrevem atividade contínua de grupos com capacidade de permanecer dentro de redes comprometidas e operar com objetivos de espionagem.

Paraguai, China e a atribuição pública

No Paraguai, em 10 de julho de 2026, os governos de Paraguai e Estados Unidos divulgaram uma declaração conjunta sobre uma revisão de cibersegurança que identificou múltiplos atores de ameaça ligados ao governo chinês, que teriam infiltrado sistemas do Estado paraguaio. O ABC Color informou que a revisão foi feita sobre redes governamentais paraguaias e que o comunicado oficial falou em "operações cibernéticas maliciosas" direcionadas contra plataformas digitais do Estado, sem detalhar publicamente quais instituições foram afetadas nem quais vetores técnicos foram usados.

Um post da rádio Ñandutí havia informado que o Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação e a Embaixada dos Estados Unidos emitiram uma declaração conjunta na qual denunciam ciberataques atribuídos a atores ligados à China contra infraestruturas do país. A publicação, no entanto, não detalhou vítimas específicas nem confirmou uma atribuição técnica pública.

Outras coberturas replicadas nas redes deram mais contexto sobre o mesmo episódio. A Infobae afirmou que as infiltrações cibernéticas atribuídas a atores ligados à China teriam afetado sistemas estatais paraguaios, enquanto o Milenio Diario falou em redes de espionagem ligadas à China em sistemas paraguaios e as descreveu como uma ameaça avançada. O Noticias al Día, por sua vez, disse que Paraguai e Estados Unidos denunciam ciberespionagem chinesa em redes estatais, sempre com foco em infraestrutura governamental e sem listar órgãos concretos.

Em 13 de julho de 2026, segundo a cobertura citada em uma nota secundária, o ministro paraguaio do MITIC, Gustavo Villate, apresentou a denúncia formal. No dia seguinte, a Promotoria abriu uma causa penal a cargo da agente fiscal Irma Llano. O ABC Color informou que o procurador-geral Emiliano Rolón Fernández determinou a abertura do caso e designou a fiscal especializada em crimes informáticos, além de esclarecer que a investigação se relaciona com a revisão conjunta do MITIC e da Embaixada dos Estados Unidos divulgada em 10 de julho.

O que disseram a China e seus porta-vozes?

A China rejeitou a denúncia paraguaia e a classificou como calúnia. O ABC Color detalhou que o Consulado Geral da República Popular da China em São Paulo, como repartição concorrente para o Paraguai, divulgou um comunicado no qual afirmou que as acusações carecem de "provas válidas", acusou os Estados Unidos de serem o "máximo expoente" de ataques informáticos globais e descreveu a conduta de Paraguai e EUA como "extremamente irresponsável" e uma "distorção dos fatos".

A agência oficial chinesa Xinhua, por meio de declarações do porta-voz da Chancelaria Lin Jian em entrevista coletiva, registrou que a China se opõe "firmemente" ao uso da cibersegurança pelos Estados Unidos para "caluniar e conter" outros países. O porta-voz negou a responsabilidade e enquadrou o tema em uma narrativa mais ampla de instrumentalização política da cibersegurança.

Uma síntese informativa do Última Hora registrou que o consulado chinês em São Paulo divulgou seu comunicado na rede social X, no qual acusa o MITIC e a Embaixada dos Estados Unidos de "caluniar" a China por supostas ciberoperações maliciosas e expressa sua "profunda insatisfação e firme oposição". A mesma cobertura o descreveu como resposta direta à declaração conjunta paraguaio-americana de 10 de julho.

Persistência e redes vulneráveis

Uma peça informativa no Instagram sobre a investigação conjunta de Estados Unidos e Paraguai indicou que o grupo APT chinês estaria usando novo malware para manter persistência em redes comprometidas. Segundo esse conteúdo, uma vez obtido o acesso, o grupo instala componentes para permanecer por longos períodos e continuar exfiltrando informações.

Na mesma linha, o reel do ESET Security Days 2026 indicou, citando o último relatório da ESET, que foi observado um aumento da atividade de uma rede associada a atores estatais chineses que usa dispositivos de rede vulneráveis para operações de ciberespionagem na América Latina. O Toque ampliou esse enfoque ao afirmar que dispositivos de rede em vários países da América Latina estão sendo usados para operações de espionagem e reconhecimento cibernético por uma rede associada a atores estatais chineses.

Outra nota do ABC Color na seção política informou que a Câmara de Deputados do Paraguai aprovou um pedido de informações ao MITIC após a declaração conjunta sobre "Operações Cibernéticas Maliciosas da China direcionadas ao Governo do Paraguai", e pediu, entre outros pontos, a cópia integral do comunicado oficial MITIC-Governo dos Estados Unidos. Isso sugere que o texto completo do aviso oficial não foi reproduzido integralmente nos meios de comunicação no momento da cobertura.

O Última Hora também publicou que, segundo dados atribuídos ao CERT-PY, desde 2023 teriam sido registrados cerca de 4.000 ciberataques ou incidentes, e associou esses números à declaração conjunta MITIC-EUA, embora a nota não tenha reproduzido um quadro detalhado de registros versus incidentes nem desdobramentos setoriais.

O quadro deixado por essas publicações é o de campanhas com foco em persistência, acesso a infraestrutura crítica e coleta de informação sensível, com um padrão que combina identidades falsas, malware voltado a permanecer ativo e exploração de equipamentos de rede vulneráveis.

Fontes

Ver todas