Chile endurece multas e prazos em cibersegurança
A Lei 21.663 fixa prazos de 24, 72 horas e 15 dias para reportar incidentes e amplia multas para operadores vitais.
O Chile definiu prazos específicos para notificar incidentes de cibersegurança e um regime de sanções que eleva as multas máximas a 20.000 UTM, com duplicação para operadores de importância vital.
Prazos para reporte e encerramento de incidentes
O regime chileno de cibersegurança já estabelece prazos objetivos para a notificação de incidentes. A atualização deve ser feita em até 72 horas, ou em até 24 horas quando o afetado for um operador de importância vital e houver risco à prestação de serviços essenciais. Além disso, a norma exige um relatório final em até 15 dias corridos e, se o incidente continuar em aberto, um relatório adicional, segundo a guia da Biblioteca do Congresso Nacional do Chile sobre a Lei 21.663.
Esse modelo organiza tanto a comunicação inicial quanto o registro posterior do incidente. Na prática, não basta avisar: o marco pede um encerramento formal, com uma segunda entrega caso o evento não tenha sido resolvido no prazo inicial.
Multas e alcance regulatório
A Lei 21.663 também prevê um regime sancionatório com multas máximas de 5.000, 10.000 e 20.000 UTM para infrações leves, graves e gravíssimas, respectivamente. Para os operadores de importância vital, esses tetos são dobrados.
A Chambers enquadra essa norma dentro de um arcabouço chileno mais amplo de segurança da informação, que também inclui a lei de proteção de dados, a lei de crimes informáticos, a regulação setorial da CMF e as normas de telecomunicações. Nessa leitura, a nova lei reforça expectativas de governança, reporte de incidentes e resiliência operacional.
Para instituições financeiras e outros atores que operam no Chile, o impacto não se limita ao cumprimento de uma única lei. O esquema convive com obrigações ligadas ao tratamento de dados, com o enquadramento de crimes informáticos e com a regulação setorial, em um ambiente em que incidentes precisam ser informados e documentados dentro de prazos fechados.
Controles exigidos para conformidade
A guia de conformidade da Prey Project acrescenta que, junto com a Lei 21.663 e a Lei 21.719, as organizações no Chile precisam implementar controles de segurança, gerir riscos, proteger dados pessoais, manter planos de resposta a incidentes e conseguir demonstrar essas medidas às autoridades.
Isso estabelece um padrão de conformidade que não se esgota em políticas internas. Também exige evidências de que esses controles existem e funcionam, um ponto que ganha peso em setores com maior exposição regulatória, como o financeiro.
Fontes
- Robos y fraudes en el uso de tarjetas e instrumentos financieros (Ley 21.634)bcn.cl· Biblioteca del Congreso Nacional de Chile (BCN) – Ley Fácil
- Ciberseguridad de los organismos del Estado e infraestructura crítica de la información (Ley 21.663)bcn.cl· Biblioteca del Congreso Nacional de Chile (BCN) – Ley Fácil
- Guía de ciberseguridad y cumplimiento normativo en Chile (Ley 21.663 y 21.719)preyproject.com· Prey Project
- Information Technology 2026 - Chilepracticeguides.chambers.com· Chambers and Partners



