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Brasil lidera ransomware na saúde em 2026

Brasil teve 99 ataques confirmados de ransomware no 1º semestre de 2026, com a saúde entre os alvos mais atingidos.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 4 min de leitura

Atualização 20 de agosto de 2026: um novo estudo da Vision Cybersecurity, citado pela CrowderTech, confirmou 99 ataques de ransomware no Brasil no primeiro semestre de 2026, 36,3% dos 273 incidentes detectados na América Latina. O relatório também apontou que a saúde respondeu por 10,4% das vítimas no país e que o ecossistema local se fragmentou com grupos emergentes.

O projeto ransomware.live registrou no Brasil a Global Secret Group como vítima, uma organização do setor de Hospitals & Clinics, com descoberta do incidente em 26 de julho de 2026. O dado confirma mais um ataque de ransomware contra um prestador de saúde brasileiro e se soma a um quadro que já vinha mostrando pressão contínua sobre hospitais, clínicas e outros atores do sistema sanitário.

Qual foi a exposição do Brasil em 2026?

O Brasil concentrou 99 ataques de ransomware confirmados no primeiro semestre de 2026, segundo uma análise setorial da Vision Cybersecurity citada pela CrowderTech. O volume representa 36,3% dos 273 incidentes identificados na América Latina e mantém o país como principal foco regional no período.

O mesmo relatório diz que, embora o LockBit 5 siga na liderança da atividade, o ecossistema local se fragmentou com grupos emergentes como TheGentlemen, Incransom e CoinbaseCartel. O documento também cita campanhas como Vect 2.0, com alto grau de sofisticação técnica.

Que lugar a saúde ocupa no mapa de ataques?

O setor de saúde representa 10,4% das vítimas de ransomware no Brasil em 2026, de acordo com a Vision Cybersecurity. Ao mesmo tempo, o segmento de serviços corporativos concentra 27,3% dos ataques, o que deixa o sistema sanitário entre os alvos mais atingidos, embora não seja o mais atacado em termos absolutos.

O portal Information Management já havia indicado que o Brasil se consolidou em 2026 como o epicentro do ransomware em saúde na América Latina, com 51% das ocorrências do setor na região. O mesmo levantamento colocou o país entre os três maiores alvos globais do segmento, com base em dados de estudos da PwC e outros relatórios citados pelo veículo.

Essa análise relacionou a expansão do problema à proliferação de IA generativa e chatbots sem governança, ao tráfego de dados médicos por plataformas sem criptografia e a erros básicos de configuração em serviços de nuvem. A leitura do relatório é que uma parte relevante do risco atual no setor vem de falhas operacionais e de gestão, mais do que de técnicas de ataque altamente sofisticadas.

Que tipos de táticas os grupos estão usando?

A Vision Cybersecurity descreve TTPs técnicas predominantes como a criptografia parcial de arquivos grandes, entre eles VMDK, MDF e backups .vbk, para maximizar a velocidade de cifragem em ambientes corporativos. A modalidade busca gerar impacto rápido sem a necessidade de bloquear todos os ativos ao mesmo tempo.

A Cafe com Bytes reforçou essa leitura ao informar que o Brasil responde por 51% das ocorrências de ransomware no setor de saúde na América Latina. O veículo acrescentou que a saúde representa 10,4% das vítimas de ransomware no Brasil e que, em 2026, LockBit 5 e TheGentlemen lideram a atividade no país, com 13 vítimas cada um. O texto também destacou a fragmentação do mercado criminoso, com outros grupos como Incransom e CoinbaseCartel ganhando espaço.

No plano financeiro, a Cafe com Bytes citou que o setor de saúde brasileiro registra o maior custo médio por violação de dados entre os setores analisados, com R$ 11,43 milhões por incidente, segundo o relatório Cost of a Data Breach da IBM. No mesmo texto, o custo médio de uma violação de dados no Brasil foi estimado em R$ 7,19 milhões, com alta de 6,5% na comparação anual.

Que outros indicadores mostram a pressão sobre o sistema?

O sindicato SINDPD trouxe um contexto mais amplo ao informar que as instituições de saúde brasileiras sofreram em média 3.167 ataques por semana em 2025, cerca de 37% acima da média global do setor. A entidade também disse que a saúde lidera o ranking mundial de ataques cibernéticos, à frente dos setores financeiro e de consumo.

Segundo esse mesmo levantamento, no primeiro semestre de 2025 o setor de saúde brasileiro registrou mais de 11 mil violações de segurança, a maioria considerada efetiva e uma parcela significativa classificada como de alta gravidade. O cenário descrito por esses dados é o de uma superfície de ataque ampla, em que o ransomware convive com um volume alto de intrusões e brechas.

O G1 acrescentou outro indicador do tamanho do ecossistema de ameaças no Brasil ao reportar, com dados da Fortinet, 753,8 bilhões de tentativas de ataques digitais em 2025 e mais de 187 milhões de ocorrências de malware. Nesse ambiente, os ataques contra hospitais, clínicas e fornecedores do sistema de saúde encontram um terreno já pressionado por múltiplos vetores.

Quais mudanças regulatórias acompanham esse cenário?

O portal Information Management também trouxe um recorte regulatório ao apontar que a Lei nº 15.352/2026 transformou a ANPD em autarquia de natureza especial, com poderes ampliados de fiscalização sobre dados sensíveis, inclusive os de saúde. Além disso, a Resolução CFM nº 2.454/2026 estabeleceu o primeiro marco brasileiro sobre o uso de inteligência artificial na medicina, com vigência desde agosto, em resposta à escalada de incidentes e ao risco de uso de IA sem governança no setor.

Em paralelo, a Flare.io identificou a TheGentlemen entre os grupos que atacam organizações de saúde e fornecedores do ecossistema sanitário. A análise, focada em EMEA, descreveu uma dinâmica que atinge toda a cadeia de suprimentos da saúde, incluindo fornecedores de software, clínicas, laboratórios e hospitais, e que monetiza dados vazados por meio de leak sites e fraudes secundárias. O padrão coincide com a pressão observada no Brasil sobre fornecedores como a MedicSolution e clínicas privadas.

O ransomware.live também havia registrado no Brasil a Global Secret Group como vítima, uma organização do setor de Hospitals & Clinics, com descoberta do incidente em 26 de julho de 2026, o que confirma que a ofensiva segue alcançando prestadores do sistema de saúde brasileiro.

Fontes

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